Os
personagens de Karim Aïnouz estão sempre em trânsito. Seria melhor pensar que estão sempre partindo, mas não se sabe bem pra onde. Hermila (O Céu de Sueli, 2006) mal retornou ao
nordeste e já planeja ir embora. José Renato (Viajo porque preciso, volto porque te amo, 2009) está em
deslocamento e talvez volte pra casa. Violeta (O Abismo Prateado, 2011) é abandonada pelo marido e parte numa
busca incompleta dentro da própria cidade, o Rio de Janeiro.
Os
lugares da qual buscam os personagens de Aïnouz são utópicos e metafóricos como
“Porto Alegre” e “Jardim Belo”. Lugares, linguisticamente, inalcançáveis.
A
cidade de Violeta (que acabou de se mudar) é barulhenta, quase claustrofóbica.
O horizonte do mar, da bossa, é outro, desfocado e impreciso. Tudo se passa ao seu
redor sem que se possa alcançar o mais próximo: “marido é parente?”, pergunta ela a
certo momento. O aeroporto está vazio, nada parte dali. Violeta não anda. Só,
ocupa o lugar de outra.
Se
a estrada representa o desvio, o fora da ordem no cinema hollywoodiano, aqui
resta a emergência do agora, do quase, do mínimo. O fio da estrada de quem
atravessa a rua, de bicicleta.




