Como
entramos e saímos das imagens?
A
imersão na imagem não é exclusividade das novas mídias e da simulação virtual. Quem
nunca se perdeu nos labirintos bidimensionais do Escher ou nos panoramas interativos do século
XIX?O modo como acessamos as imagens é cultural e técnico. Dar um passo, abrir
a cortina, virar a página, apagar a luz, apertar o botão são formas de “entrar”
no mundo da ficção.
O
menino assustado do quadro Escapando da
crítica (1874) de Pere Borrell del Caso, se refugia no mundo da ficção ou
sai da moldura para se perder na realidade dos homens de carne e osso?
O
curioso, nesse quadro, é que, quem tenta escapar da crítica não é o autor do
quadro - o nome próprio susceptível à exterioridade - mas o personagem de dentro
da pintura, que ultrapassa o portal simbólico que divide real e ficção.
É
por isso que, as “esculturas vivas” de Ron Mueck, nos assustam tanto: elas vivem
entre nós, sem qualquer fronteira aparente entre a realidade e o imaginário. Saber
abandonar essas imagens, tão semelhantes e que nos olham profundamente, é nos
tornar mais humanos.


que ponte legal você traçou... gostei muito.
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