As imagens dos cinemagraphs são muito mais perturbadoras do que as fotografias
tradicionais em seu tempo petrificado e habitadas por seres embalsamados
(Bazin). À esse tipo de imagem é imposto um aprisionamento perverso do qual o
tempo é perpétuo. É assustador saber que, a figura que olho, não foi (Barthes),
não participa de outro tempo remoto, mas está, melancolicamente, aprisionada no
tempo presente.
A fotografia está associada ao passado, o seu
ofício é congelar o tempo que passou. O cinema, fundado tecnicamente na
sucessão de fotogramas, cria a ilusão de movimento pra frente, pressupõe a
mudança de imagem, a passagem do tempo. Mas o cinemagraphs é, ao mesmo tempo, uma fotografia que possui movimento
e um cinema estático. Não é nem passado nem passagem. A imagem vive no agora. Miragem
entre pausa e movimento.
Entre o
instantâneo (fotografia) e o instante qualquer (cinema), essas imagens duram
mais, devem esperar (Brissac Peixoto). A questão é saber se somos capazes de
olhá-las por muito tempo e qual a natureza da espera a que estão condicionadas,
se olham para o passado ou para a passagem.


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