quinta-feira, 25 de abril de 2013

Melancolia da imagem aprisionada no presente



 
As imagens dos cinemagraphs são muito mais perturbadoras do que as fotografias tradicionais em seu tempo petrificado e habitadas por seres embalsamados (Bazin). À esse tipo de imagem é imposto um aprisionamento perverso do qual o tempo é perpétuo. É assustador saber que, a figura que olho, não foi (Barthes), não participa de outro tempo remoto, mas está, melancolicamente, aprisionada no tempo presente.
A fotografia está associada ao passado, o seu ofício é congelar o tempo que passou. O cinema, fundado tecnicamente na sucessão de fotogramas, cria a ilusão de movimento pra frente, pressupõe a mudança de imagem, a passagem do tempo. Mas o cinemagraphs é, ao mesmo tempo, uma fotografia que possui movimento e um cinema estático. Não é nem passado nem passagem. A imagem vive no agora. Miragem entre pausa e movimento. 
 Entre o instantâneo (fotografia) e o instante qualquer (cinema), essas imagens duram mais, devem esperar (Brissac Peixoto). A questão é saber se somos capazes de olhá-las por muito tempo e qual a natureza da espera a que estão condicionadas, se olham para o passado ou para a passagem.              

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