Os irmãos Lumière - inventores do cinematógrafo - foram, para Jacques Aumont (2011), os últimos pintores impressionistas. A paisagem esfumaçada e com ponto de vista móvel alcança tal imaterialidade e fluidez que só o cinema, com seu movimento no espaço, poderia suceder.
A imagem ganha a consistência de uma nuvem.
Alguns cineastas pesam na imagem, carregam toneladas, como John Ford (o peso da terra à desbravar), Glauber Rocha (o peso da terra seca), Hithcock (o peso da altura, da vertigem) e Bergman (o peso do céu inquisidor). Outros, são leves, líquidos, como Truffaut, Won Kar-Wai e Murnau.
Na TV não existem nuvens. Só previsão do tempo.
O que não deixa de ser intrigante é que, George Meliès, justamente o artista dos vaudevilles, do circo, enfim, da balbúrdia, viu, através da imagem, o mais improvável nos filmetes dos Lumière: o vento balançando as folhas das árvores. Aí nasceu a ficção.
Pois nada mais transparente, matéria do imaginário, do que um facho de luz projetando céu na sala escura.

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