O cinema possui o fluxo intermitente entre imagens. Nosso
olho fixa a imagem passada enquanto a seguinte já passou. A retina busca as
imagens na duração, no movimento.
O cineasta do tempo, afinal, é Alan Resnais. O tempo em
Resnais não é o cronológico, o tempo medido. É, por outro lado, o passado
estendendo seu fio impreciso, imaginado, até o presente.
Ninguém filmou
esculturas como ele.
Em Hiroshima - lugar devastado - eclode uma paixão da qual
não se sabe se ocorreu de fato (Hiroshima, meu Amor – 1959). Os girassóis de Van
Gogh em preto e branco nunca existiram (Van Gogh – 1947). Neva em plena sala
(Medos Privados em Lugares Públicos – 2006).
Se Griffith versou sobre o “enquanto isto”, Resnais ousou
sonhar: “dentro disto”. Um travelling
em Resnais é toda imagem que age, que transmuta o passado, que desdobra o
presente. A obra-prima Ano Passado em
Marienbad (1961) é cheia de simultaneidades do tempo. Resnais manipula o
tempo dentro dele mesmo. Tocamos a memória do tempo, da consciência.


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