Os
filmes de faroeste sempre afirmaram o imaginário bélico do povo norte-americano, do
país que resolve na bala seus problemas políticos, seja no período do nazismo ou na Guerra Fria, o gênero
atravessou o século XX se reinventando.
Sergio
Leone fez um faroeste maneirista. Scorsese se interessou pelo bang-bang urbano,
niilista e perturbado em Taxi Driver. George
Lucas jogou o western para dentro do
vídeo-game em Guerra nas Estrelas e Tarantino
revê o gênero em chave pop, debochada. No entanto, o cineasta que melhor
carrega hoje a mitologia do faroeste é Clint Eastwood. Ele faz a ligação ancestral
entre John Wayne e a América multicultural.
Faroeste
sem cavalo e sem índio. O herói cansado de guerra, deslocado em um país de
imigrantes e mais preocupado em lustrar o seu antigo carro e beber Budweiser na
varanda. Em Grand Torino (2008), o
personagem de Eastwood - veterano do exército, moralista, racista - faz justiça
com as próprias mãos para proteger, ora veja, a indefesa família chinesa. O cowboy atual não polariza mais com os selvagens.
Nessa narrativa da nação americana, os outros são eles mesmos.

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