segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Geometria

A perspectiva renascentista coloca o espectador como fonte do olhar. A tela seria a janela que se abre à visão do mundo. Tudo nos leva ao centro da imagem.
Eisenstein foi o cineasta que desestabilizou essa noção clássica ao buscar, na pintura e na poesia japonesa, as linhas e formas sobrepostas, descontínuas. Em Eisenstein não só a montagem entre as imagens é conflitante, como a montagem interna ao quadro subverte a lógica naturalista. A “geometria da forma”, proposta pelo cineasta, consiste em desarmonizar a composição dos objetos em volumes, escalas, tonalidades e luzes. A geometria pelo avesso.
A perspectiva é, de todo modo, um espelho, ou seja, uma tela que se reconhece no mundo tridimensional. O quadro audiovisual proposto por Eisenstein é, por outro lado, um espelho quebrado, estilhaçado. Braudy (2008) escreveu sobre a identificação do cinema com a realidade: “um espelho infinito não seria mais um espelho”.
Quem criou o espelho infinito foi justamente um geometricista por excelência, o pintor Escher. Ele criou a aparição e o assombro de dois espelhos colocados frente à frente.      
      



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