A
perspectiva renascentista coloca o espectador como fonte do olhar. A tela seria
a janela que se abre à visão do mundo. Tudo nos leva ao centro da imagem.
Eisenstein foi o cineasta que desestabilizou essa noção clássica ao buscar, na
pintura e na poesia japonesa, as linhas e formas sobrepostas, descontínuas. Em
Eisenstein não só a montagem entre as imagens é conflitante, como a montagem
interna ao quadro subverte a lógica naturalista. A “geometria da forma”,
proposta pelo cineasta, consiste em desarmonizar a composição dos objetos em
volumes, escalas, tonalidades e luzes. A geometria pelo avesso.
A
perspectiva é, de todo modo, um espelho, ou seja, uma tela que se reconhece no
mundo tridimensional. O quadro audiovisual proposto por Eisenstein é, por outro
lado, um espelho quebrado, estilhaçado. Braudy (2008) escreveu sobre a
identificação do cinema com a realidade: “um espelho infinito não seria mais um
espelho”.
Quem
criou o espelho infinito foi justamente um geometricista por excelência, o
pintor Escher. Ele criou a aparição e o assombro de dois espelhos colocados frente
à frente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário