quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Por um tapete vermelho






O filme brasileiro mais político dos últimos anos talvez seja Tapete Vermelho (2006) de  Luiz Alberto Pereira. No filme, o caipira quer apresentar ao filho os velhos filmes do Mazzaropi. A família, em sua jornada, sai da roça e vai até a cidade grande para assistir, em uma sala de cinema, um filme do cineasta jeca-tatu.
Acontece que a família só encontra, obviamente, blockbusters em cartaz nos cinemas. A cena em que o filho fica maravilhado por uma tela branca no cinema diz muito da nossa cultura audiovisual. A produção e a história do cinema brasileiro dificilmente passam de geração para geração. O menino vê, diante de si, a tela branca, vazia e sem imagem da qual possa se reconhecer. 
O caipira precisa fazer greve de fome e se acorrentar ao cinema para que o exibidor-empresário passe, enfim, o filme do Mazzaropi. Tapete Vermelho trata, nas entrelinhas, da condição atual do cineasta brasileiro: sem tela para exibir e atrelado a mecanismos perversos e desiguais de fomento cultural.                 


domingo, 10 de novembro de 2013

Imagem e semelhança


O rosto no cinema está entre a paisagem e a textualidade. O primeiro plano do ator instaura olhares, dentro e fora da imagem.
Planos e planícies, visível e vidente. Imagem, ao mesmo tempo, do reconhecimento e do enigma.
Quando não se vê o rosto,com que cara a imagem se mostra aos olhos dos outros?
Em Camille Claudel 1915, de Bruno Dumont (2013), a protagonista começa o filme de costas, pelo avesso da figuração. Os rostos que rondam a sua vista são grotescos, gritantes, como nos quadros de Francis Bacon. Esses rostos, que olham e são olhados, se cristalizam em esculturas, que permanecem na imagem do pesadelo de Claudel.