“Quando
você gosta de um filme por vinte anos, ele é como uma árvore que cresce
independente dentro de você”. Esta bela imagem de Kiarostami me fez pensar nos
filmes que levamos com a gente, pela vida a fora.
Reencontrar
o filme amado é encontrar a si mesmo, modificado. E o filme, na mesma dimensão,
diferente. O filme que nos acompanha é mais invisível que visível. Não preciso revê-lo,
pois suas imagens me assombram quando menos espero, como vento repentino que
desperta as folhas das árvores.
A
criação é algo como encontrar essas imagens atemporais, que estavam escondidas,
que crescem sem que se perceba e, aí sim, tocar a sua presença, diante dos
olhos, como aura, no sentido benjaminiano.
Nunca
se esquece da sessão de cinema que marcou a nossa história. Do lugar, do
cheiro, da companhia. Do filme, resta a memória, como árvore solitária na
paisagem de Kiarostami.

