Para
Kulechov, o precursor da montagem no cinema, o plano era letra, signo na frase da imagem em movimento. Literatura
da imagem.
No
cinema primitivo, um “comentador” era responsável por explicar à platéia,
fascinada e analfabeta, o que acontecia na sala de cinema. Nos primórdios, Meliès
conduzia a ação, didaticamente, olhando para o espectador, para que não
restasse dúvida sobre a mágica do espetáculo. Afinal de contas, os truques devem mostrar e
esconder. O primeiro cinema se pautou sobre essa ideia: surpreender e, ao mesmo
tempo, explicar seus procedimentos, suas trapaças.
Anos
mais tarde, ainda no cinema mudo, as legendas cumprem a função de intervir na
imagem. Chaplin coexiste com a onomatopéia do seu gesto. Quando o cinema se
reinventa, na segunda metade do século XX, as letras retornam como tipos móveis.
Godard, Bresson, Antonioni e Kurosawa escrevem junto com a imagem.
Hoje,
a vídeo-arte é mais texto que imagem, também, e por causa de Peter Grennaway,
que escreveu no corpo da imagem e na pele da palavra.
Kulechov, via twitter, escreve:
que fim levou a imagem?

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