sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Florestas


“Quando você gosta de um filme por vinte anos, ele é como uma árvore que cresce independente dentro de você”. Esta bela imagem de Kiarostami me fez pensar nos filmes que levamos com a gente, pela vida a fora.       
Reencontrar o filme amado é encontrar a si mesmo, modificado. E o filme, na mesma dimensão, diferente. O filme que nos acompanha é mais invisível que visível. Não preciso revê-lo, pois suas imagens me assombram quando menos espero, como vento repentino que desperta as folhas das  árvores.     
A criação é algo como encontrar essas imagens atemporais, que estavam escondidas, que crescem sem que se perceba e, aí sim, tocar a sua presença, diante dos olhos, como aura, no sentido benjaminiano.  
Nunca se esquece da sessão de cinema que marcou a nossa história. Do lugar, do cheiro, da companhia. Do filme, resta a memória, como árvore solitária na paisagem de Kiarostami.           


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