quarta-feira, 9 de julho de 2014

Pregnância



O “instante pregnante” é um termo criado pelo crítico de arte Lessing em 1766, para designar a pintura “encenada”, artificial na cena representada. Esse instante ou momento é a essência do acontecimento ficcional, o clímax da cena. É a pintura teatral, como nos quadros mais dramáticos de Goya ou Caravaggio.  
O fotógrafo Cartier Bresson, a pesar de tratar a sua inseparável Leica como uma câmera de cinema portátil, pois não tirava o olho do visor, perseguiu o instante decisivo, mágico, na composição do enquadramento. A fotografia do homem parado no ar, pulando a poça de água, revela a dilatação dos quadros de Bresson.

Existe uma linha do documentário contemporâneo que busca a precisão nos enquadramentos, que deixa de lado a fluidez e a improvisação inerentes à realidade. O cineasta monta, assim, a encenação junto com os personagens, de modo bem próximo da linguagem ficcional. No documentário Girimunho (2011) de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, os enquadramentos são milimetricamente decupados. A câmera busca a pregnância da ação, entre a pintura e a narrativa.                         


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