Viajar de avião, por exemplo, nessa cápsula hermética do tempo é, supostamente, apagar o território.
Não é o tempo que ficou menor. É que, cada vez mais espaço e mais imagens, passam entre o mesmo tempo.
O cinema, máquina de fazer distâncias, promove a gagueira dos planos aéreos, até o limite do clichê. O cineasta pode brincar de aviador, Deus ou alpinista. As lentes da National Geografic observam a fauna em teleobjetiva para não serem engolidas pelas feras.
Olhar de longe é a interação das pinturas de Saurat. As telas vistas de perto são reduzidas a pontos desconexos e tateantes. Algumas obras de Vik Muniz só fazem sentido vistas do alto como no desenho do trator no campo de terra ou na nuvem rabiscada pelo avião no céu, que alternam a noção entre latitude e longitude.
O artista Cassio Vasconcellos atingiu o formalismo aéreo em série de fotografias que revelam um mundo de brinquedo, com peças mal encaixadas, numa espécie de dadaísmo no olhar de gigante.


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