quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Origami



Ozu é o cineasta dos interiores. Da multiplicação dos interiores.
Nas casas japonesas, as sombras, vindas de fora, projetam novas formas, outros eclipses de tempo no ambiente de dentro. São várias camadas e painéis que se abrem, uns sobre os outros. Como um origami de papel com diferentes faces.
A casa ocidental e capitalista tem o sentido de propriedade, de fechamento. As paredes servem para separar, distinguir pessoas e funções. 
Por que será que o cinema de ação americano tem obsessão por devastar tantas edificações?           
Em Era uma vez em Tóquio (1963), Ozu, com extrema delicadeza, nos mostra como o quadro no cinema deve se abrir à transcendência da janela.

    


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