domingo, 12 de julho de 2015

Supermercado de imagens

       
O Jorge Furtado curtametragista (antes de Houve uma vez dois verões, 2002) se atém na circulação e troca de mercadorias na sociedade. Em Ilha das Flores (1989) toda uma cadeia de re-significações é dada às mercadorias, como por exemplo, os tomates plantados na roça são  trocados por dinheiro no supermercado da cidade, o perfume é extraído das flores e o lixo vira alimento para porcos e, só depois, para os seres humanos.       
Uma pergunta atravessa a cadeia de imagens: afinal de contas, que estranho objeto mercadológico seria um curta-metragem na indústria do entretenimento?
No curta-metragem Memória (1989), com direção de Roberto Henkin e roteiro de Jorge Furtado, segue a lógica do mercado: a partir da matéria prima de películas de filmes fora do circuito são produzidas vassouras numa fábrica em São Paulo. E o mais improvável nesse cenário é que os funcionários da fábrica são cegos. 
A realidade mais delirante que a ficção.
Assim, os filmes descartados no mercado audiovisual (como a grande maioria dos curta-metragens) são varridos da memória do público e condenados à escuridão.