O
Jorge Furtado curtametragista (antes de Houve
uma vez dois verões, 2002) se atém na circulação e troca de mercadorias na
sociedade. Em Ilha das Flores (1989)
toda uma cadeia de re-significações é dada às mercadorias, como por exemplo, os
tomates plantados na roça são trocados
por dinheiro no supermercado da cidade, o perfume é extraído das flores e o lixo
vira alimento para porcos e, só depois, para os seres humanos.
Uma
pergunta atravessa a cadeia de imagens: afinal de contas, que estranho objeto
mercadológico seria um curta-metragem na indústria do entretenimento?
No
curta-metragem Memória (1989), com
direção de Roberto Henkin e roteiro de Jorge Furtado, segue a lógica do
mercado: a partir da matéria prima de películas de filmes fora do circuito são
produzidas vassouras numa fábrica em São Paulo. E o mais improvável nesse
cenário é que os funcionários da fábrica são cegos.
A realidade mais delirante que a ficção.
Assim,
os filmes descartados no mercado audiovisual (como a grande maioria dos curta-metragens)
são varridos da memória do público e condenados à escuridão. A realidade mais delirante que a ficção.

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