sexta-feira, 29 de julho de 2016

O cineasta Win Wenders tem explorado, rizomaticamente, o estatuto da imagem.
A imagem como desvio e ausência de lugar definido.
Personagens fora de casa e deslocados da família são, na minha visão, representações, meio desviantes, da imagem contemporânea ("Paris Texas", "O Céu de Lisboa" e "Estrela Solitária").
O estatuto, mais do que um estado da imagem, é uma visão, técnica e cultural, da imagem, enquanto organismo vivo e persistente na memória da sociedade.  
Desde "Quarto 666", para Win Wenders, a genealogia da imagem é um tema transversal e potente. Nesse caso, a transformação do cinema em vídeo surge como indagação filosófica, formadora da imagem.     
Em "Palermo Shooting" (2008) Wenders revisa o tema da formação e destino da imagem proposto por Antonioni em "Blow Up"(1966).
Se, no filme de Antonioni, a imagem demanda e gera narrativa e do detalhe se faz história social, no mundo da cultura digital, abordado por Win Wenders, a imagem nos toma por caminhos incertos e, porque não, mais interessantes. 
Em "Blow Up", filme chave sobre a produção de imagem no século XX, a narrativa nos envolve e, de certa forma, nos desvenda.
Em "Palermo Shotting"a imagem é o "diabo", que não aceita indagação, nem céu e nem inferno.          


Nenhum comentário:

Postar um comentário