Para Vilém
Flusser (2007) vivemos num mundo codificado. A onipresença de imagens técnicas
ao nosso redor cria uma verdadeira ecologia, uma natureza de signos. Nova
Iorque talvez seja a cidade mais codificada, fotografada, filmada do mundo. Já
vi(vi) essa cidade antes!
Walter Benjamin viu uma nuvem de gafanhotos incandescentes na paisagem da cidade
moderna. As luzes dos carros, das vitrines, dos neons produzem efeitos óticos,
cinematográficos. No filme São Paulo:
Sinfonia de uma Metrópole (1929), a cidade é representada como uma máquina
futurista. Fora a ideologia ufanista do desenvolvimentismo, o filme é
interessante por propor uma cidade-imagem. A natureza da cidade é ser a imagem
que se faz dela.
Quase setenta anos depois, Jean-Claude Bernardet fez o filme São Paulo, Sinfonia e Cacofonia (1995), reciclando
imagens de vários filmes rodados na cidade. Eles
não usam Black-Tie se mimetiza com O
Bandido da Luz Vermelha, que desemboca em São Paulo S.A e se encontra na esquina com Filme Demência. O nosso acervo imaginário sobre a cidade de São
Paulo é um filme-montagem. Lembro que Roland Barthes gostava de sair (mais do
que entrar) de uma sala de cinema e ganhar o movimento das ruas. Tela e cidade,
nessa experiência, não são somente uma o prolongamento da outra. São dois lados da
mesma imagem.
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