O cinema cria uma arquitetura paralela. Michelangelo
Antonioni (1912-2007), talvez tenha sido o cineasta que melhor entendeu isto. Seus
planos, mais do que geométricos e precisos, são marcados pela força das paredes
do quadro audiovisual. Deleuze (2005) lembrou bem ao falar de Antonioni: os
corpos sofrem a ação do ambiente. Todo o cansaço do mundo sobre os personagens.
É por isso, que os personagens em Antonioni se posicionam de costas
para a parede da câmera ou caem pelas tabelas do cenário. O quadro esvaziado e
o corpo diluído.
Filmar é desenhar uma cidade no pensamento.
Em Antonioni a arquitetura é reta, minimalista, branca e arejada. Arquitetura do tempo.
O filme exemplar dessa arquitetura do vazio é O Eclipse (1962). Antonioni realiza um eclipse na narrativa e retira todos os personagens do filme. Sobram as ruas vazias, os tijolos da construção, a mancha de tinta, a água correndo e as quinas dos prédios. São rastros do que foi um filme.
Filmar é desenhar uma cidade no pensamento.
Em Antonioni a arquitetura é reta, minimalista, branca e arejada. Arquitetura do tempo.
O filme exemplar dessa arquitetura do vazio é O Eclipse (1962). Antonioni realiza um eclipse na narrativa e retira todos os personagens do filme. Sobram as ruas vazias, os tijolos da construção, a mancha de tinta, a água correndo e as quinas dos prédios. São rastros do que foi um filme.

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