sexta-feira, 26 de abril de 2013

Dziga Vertov e o inconsciente ótico.


Dziga Vertov (1896-1954), como legítimo artista moderno, reverenciou a técnica e escreveu manifestos. Para o camarada, a câmera cinematográfica revelava o que o olho não podia ver: o cine-olho. A câmera como extensão privilegiada do olho humano. Olhar sem corpo (Ismail Xavier).
Walter Benjamin, em sintonia com Vertov e Freud, escreveu sobre o inconsciente ótico. O mundo do filme, segundo Benjamin, é o avesso do mundo consciente, real. A possibilidade da câmera de cinema - diferentemente do teatro ou da pintura - em escrutinar os objetos, cortar durante o movimento, acelerar ou retardar a ação revela segredos ocultos da realidade.
Vertov, em seu clássico O Homem com uma câmera (1929), faz o inventário desse inconsciente ótico ao buscar, nos objetos cotidianos, diferentes formas e enquadramentos. O filme começa, justamente, com a cidade dormindo (e sonhando). Quando a cidade acorda, se desenrola uma sinfonia da vida dos objetos. E para ele, só a câmera poderia ver, com 
o olho refletido, o duplo do sonho das coisas.        

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