O
filme brasileiro mais político dos últimos anos talvez seja Tapete Vermelho (2006) de Luiz Alberto Pereira. No filme, o caipira
quer apresentar ao filho os velhos filmes do Mazzaropi. A família, em sua
jornada, sai da roça e vai até a cidade grande para assistir, em uma sala de
cinema, um filme do cineasta jeca-tatu.
Acontece
que a família só encontra, obviamente, blockbusters
em cartaz nos cinemas. A cena em que o filho fica maravilhado por uma tela
branca no cinema diz muito da nossa cultura audiovisual. A produção e a
história do cinema brasileiro dificilmente passam de geração para geração. O menino
vê, diante de si, a tela branca, vazia e sem imagem da qual possa se
reconhecer.
O
caipira precisa fazer greve de fome e se acorrentar ao cinema para que o
exibidor-empresário passe, enfim, o filme do Mazzaropi. Tapete Vermelho trata, nas entrelinhas, da condição atual do
cineasta brasileiro: sem tela para exibir e atrelado a mecanismos perversos e desiguais de
fomento cultural.

As pessoas interessadas na produção cinematográfica brasileira precisa encontrar uma forma de agir em relação à esta condição.
ResponderExcluirUma forma que seja efetiva.