domingo, 19 de janeiro de 2014

Alfabeto

Para Kulechov, o precursor da montagem no cinema, o plano era  letra, signo na frase da imagem em movimento. Literatura da imagem.
No cinema primitivo, um “comentador” era responsável por explicar à platéia, fascinada e analfabeta, o que acontecia na sala de cinema. Nos primórdios, Meliès conduzia a ação, didaticamente, olhando para o espectador, para que não restasse dúvida sobre a mágica do espetáculo. Afinal de contas, os truques devem mostrar e esconder. O primeiro cinema se pautou sobre essa ideia: surpreender e, ao mesmo tempo, explicar seus procedimentos, suas trapaças.  
Anos mais tarde, ainda no cinema mudo, as legendas cumprem a função de intervir na imagem. Chaplin coexiste com a onomatopéia do seu gesto. Quando o cinema se reinventa, na segunda metade do século XX, as letras retornam como tipos móveis. Godard, Bresson, Antonioni e Kurosawa escrevem junto com a imagem.  
Hoje, a vídeo-arte é mais texto que imagem, também, e por causa de Peter Grennaway, que escreveu no corpo da imagem e na pele da palavra. 
Kulechov, via twitter, escreve: que fim levou a imagem?      

         


              

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