domingo, 3 de agosto de 2014

Casa na árvore



Os filmes de Wes Anderson são maravilhosamente estranhos.
Fábulas muito singulares, que misturam estética retrô, histórias em quadrinhos e literatura panorâmica. Nas fábulas tradicionais os animais possuem a linguagem, agem como humanos. Na fábula pop do cineasta os humanos são animais dóceis, caricatos e um tanto lesados, que se encontram no processo de perda e mutação da linguagem. 
A família, núcleo formador da linguagem, é o tema recorrente de Wes Anderson. Talvez seja por isso que o elenco dos filmes sempre é grande e se repete. As crianças de Moonrise Kingdon (2012) fogem de casa para viverem acampadas na montanha, cada membro da família de Os excêntricos Teneubaums (2001) vive no seu universo particular, em Viagem a Darjelling (2007) os três irmãos tentam uma reconciliação buscando a mãe na Índia, no filme Grande Hotel Budapeste (2014) o filho cuida do hotel decadente após a morte do pai adotivo. 
Aliás, as famílias pouco convencionais são o tema preferido do atual cinema independente norte-americano.    
Outro aspecto interessante na obra do cineasta é construção da decupagem, marcada por travelling lateral, zoom e tilt no mesmo plano. Algo como um plano-sequência escalonado, em que a câmera faz o movimento de varredura topográfica no cenário, em diferentes níveis de enquadramentos e profundidade. 
Essa construção lembra ainda um cubo mágico que gira em diferentes combinações de quadros.    


                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário