Dziga Vertov (1896-1954), como legítimo artista moderno,
reverenciou a técnica e escreveu manifestos. Para o camarada, a câmera
cinematográfica revelava o que o olho não podia ver: o cine-olho. A câmera como
extensão privilegiada do olho humano. Olhar sem corpo (Ismail Xavier).
Walter Benjamin, em sintonia com Vertov e Freud, escreveu
sobre o inconsciente ótico. O mundo do filme, segundo Benjamin, é o avesso do
mundo consciente, real. A possibilidade da câmera de cinema - diferentemente do
teatro ou da pintura - em escrutinar os objetos, cortar durante o movimento,
acelerar ou retardar a ação revela segredos ocultos da realidade.
Vertov, em seu clássico O
Homem com uma câmera (1929), faz o inventário desse inconsciente ótico ao buscar,
nos objetos cotidianos, diferentes formas e enquadramentos. O filme começa,
justamente, com a cidade dormindo (e sonhando). Quando a cidade acorda, se
desenrola uma sinfonia da vida dos objetos. E para ele, só a câmera poderia ver,
com 
o olho refletido, o duplo do sonho das coisas.

o olho refletido, o duplo do sonho das coisas.
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