Os comediantes mais interessantes da modernidade tiram graça, principalmente, do confronto com a máquina, logo, o cinema se parece com a grande maquinaria, engenhosa e obsoleta, que é subvertida por meio do riso, da sátira e do chiste.
Charles
Chaplin rolou na esteira da linha de produção capitalista em Tempos Modernos (1936). Jacques Tati
demoliu o mecanismo idealizado da vida privada em Meu Tio (1958) e Buster Keaton foi mais longe, em A General (1927), ao sentar, displicentemente,
na roda do trem e se mimetizar na própria mecânica do cinema: a locomotiva.
As
visões pré-cinema dos panoramas do século XIX tinham por referência sensorial
a passagem de quadros em meios de locomoção como os bondes e os trens dentro e entre as
cidades modernas. Buster Keaton, o comediante-triste, deslocado em relação à
era de ouro do cinema, maneirista frente à máquina, faz graça no limiar da tecnologia,
dentro
da interface da imagem-cinema.
Toda
a ideologia da modernidade está sintetizada na imagem criado por Keaton: o palhaço-operário industrial sendo conduzido pela locomotiva sem rumo, sem chegada ou partida.
Ainda
existe, nessa imagem de Keaton, certa separação entre o sujeito e a
máquina. Nos games atuais, por outro lado, a imersão
do sujeito nos trilhos virtuais, pode, invariavelmente, nos levar ao game over.

