A
classificação, sempre subjetiva, que aparta o filme bom do filme ruim, só faz
sentido em antologias, enciclopédias e reuniões solenes de câmara. Numa cultura
dominante, pautada por listas de mais vendidos e mais populares, o filme ruim passa, curiosamente, a ser cultuado. Alguns “bons” cineastas se valem desse culto, como Tarantino e
Sganzerla, para realizarem filmes cult.
O
último refúgio do filme infame é o trash-movie,
que esgarça, conscientemente, o limiar entre o bom e o ruim. O filme ruim nos livra, socialmente, da seriedade do cotidiano, assume o pastiche da nossa existência e, acima de
tudo, nos mostra como somos imperfeitos. Corajoso seria o crítico que põe a
linguagem em crise, que funda a ontologia do filme ruidoso.
O
cineasta Leos Carax provocou o filme ruim ao extremo com Holy Motors (2012), ao misturar o “non-sense” com a duvidosa representação
nossa de cada dia. O seu personagem possui a heroica missão diária de avacalhar o próprio filme e, por extensão, a vida dos cultuadores de cinema.



