quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Pureza


O cinema de vanguarda se opõe ao cinema do teatro e da literatura. É um retorno ao primeiro cinema: visual e mudo. Os vanguardistas o chamavam de “cinema puro”.
Na década de 1920, a “purificação do olhar” era uma ideia sobre a saturação da modernidade, vista como muito racional e mecânica.  O dadaísmo propõe o olhar infantil sobre a matéria, o surrealismo se desvincula do superego adulto, Oswald de Andrade quer brincar de ser tupi na floresta e daí por diante.
Eisenstein escreveu um manifesto (protocolo típico das vanguardas) sobre a ameaça do “cinema falado” para a montagem cinematográfica, que não deveria se render, de jeito nenhum, a encenação dramática e ao texto literário. Defendia um cinema “polifônico”, conceitual, sem sincronização entre imagem e som.  
Mas como nada é puro e nem deve ser, o “cinema puro” tinha muito de artes plásticas, arte gráfica, poesia, design, arquitetura etc.