segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cachoeira e bolha de sabão

  
“Empurro minha filha de dois anos no carrinho de bebê: isto é cinema. Minha filha empurra o carrinho vazio: isto é vídeo”.
A formulação de Jean-Paul Fargier (1996), apesar de soar ultrapassada, pois o contato entre cinema e vídeo está altamente consolidado, é interessante pela imagem que suscita. Lembrei, a partir dessa proposição, de dois artistas, um, próprio ao cinema e outro, ao vídeo: Humberto Mauro e Cao Guimarães.
Para Humberto Mauro, cinema é cachoeira e para Cao Guimarães, vídeo é bolha de sabão. Cachoeira no sentido da torrente grandiosa de acontecimentos, dos corpos que ultrapassam o fluxo da tela, da refração da luz conforme o ângulo em que se observa a imagem. Bolha de sabão como imagem portátil, incerta, que vaga e se confunde com o ambiente em que circula. Seguindo essa idéia, o espectador de cinema é conduzido e o de vídeo conduz, age sobre as imagens. No caso do vídeo, o espectador pode manipular, trocar de canal e compartilhar as imagens.

Carrinho de bebê, cachoeira e bolha de sabão são, nessa história,  dispositivos que ativam subjetividades. A bolha de sabão dentro da cachoeira se dissolve fácil, se multiplica e se transforma em outra coisa. Talvez essa seja a imagem-síntese da internet.      

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