domingo, 6 de abril de 2014

Portais



Como entramos e saímos das imagens?
A imersão na imagem não é exclusividade das novas mídias e da simulação virtual. Quem nunca se perdeu nos labirintos bidimensionais do Escher ou nos panoramas interativos do século XIX?O modo como acessamos as imagens é cultural e técnico. Dar um passo, abrir a cortina, virar a página, apagar a luz, apertar o botão são formas de “entrar” no mundo da ficção. 
O menino assustado do quadro Escapando da crítica (1874) de Pere Borrell del Caso, se refugia no mundo da ficção ou sai da moldura para se perder na realidade dos homens de carne e osso?
O curioso, nesse quadro, é que, quem tenta escapar da crítica não é o autor do quadro - o nome próprio susceptível à exterioridade - mas o personagem de dentro da pintura, que ultrapassa o portal simbólico que divide real e ficção.    

É por isso que, as “esculturas vivas” de Ron Mueck, nos assustam tanto: elas vivem entre nós, sem qualquer fronteira aparente entre a realidade e o imaginário. Saber abandonar essas imagens, tão semelhantes e que nos olham profundamente, é nos tornar mais humanos.     




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