O ambiente em que eram exibidos os primeiros filmes, no final do século XIX, era pecaminoso e selvagem. Não havia, ainda, as salas de cinema como as conhecemos hoje: assépticas, aveludadas, cheirando a pipoca e refrigerante e bem organizadas. Os filmes, exibidos aos pedaços e aleatoriamente, passavam em cabarés, circos e feiras. Era um legítimo ritual das massas.
As
salas de cinema e a cobrança de ingresso só surgiram no final da década de
1910, com a profissionalização do meio, com a produção dos primeiros
longas-metragens e com o interesse da burguesia por essas exibições. O nome
pomposo de 'sétima arte' vem desse contexto.
A
figura folclórica do lanterninha nas salas de cinema é sintomática desse
período de higienização das exibições de cinema. No escurinho do cinema, o
lanterninha fiscalizava, ainda que de forma lúdica, se o público estava se
comportando “civilizadamente”. Em Cinema Paradiso (1988) de Giuseppe Tornatore,
a figura do lanterninha, já extinta, aparece muito bem.
O
poeta Carlos Drummond de Andrade (1928) escreveu sobre o fim das coisas do
cinema: “a espera na sala de espera, a divina orquestra, mesmo não divina, as impossíveis
sonhadas bolinações, sublime agora que para sempre submerge em funeral de
sombras”.

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