sábado, 19 de julho de 2014
Livros intermináveis
Os livros sobre cinema do filósofo Deleuze (Imagem-Movimento e Imagem-Tempo) são livros intermináveis. Todo livro deve não ter fim. Deve anunciar, na palavra final, a travessia, como em Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa.
A cada nova investida, o leitor tem a sensação de descoberta. As formulações de Deleuze parecem que se movimentam, tem vida própria na página. É o devir do entendimento, da imagem, da vida, que em algum momento fará sentido.
Quando a crítica rasteira e deslumbrada com a eletrônica anunciava o fim do cinema, na década de 1980, Deleuze se permitiu entrar na própria consciência do cinema e analisar, sobretudo, como os personagens percebem o mundo. O nosso e o deles. Tudo isso, atualizando outro filósofo, Bergson, contemporâneo da idéia de cinema.
Fico imaginando o filósofo datilografando essas centenas de páginas na máquina de escrever e vendo filmes no movimento dos conceitos, enquanto tento decifrar meu livro comprado no sebo.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário