O “instante pregnante” é um termo criado pelo crítico de arte
Lessing em 1766, para designar a pintura “encenada”, artificial na cena
representada. Esse instante ou momento é a essência do acontecimento ficcional,
o clímax da cena. É a pintura teatral, como nos quadros mais dramáticos de Goya
ou Caravaggio.
O fotógrafo Cartier Bresson, a pesar de tratar a sua
inseparável Leica como uma câmera de cinema portátil, pois não tirava o olho do
visor, perseguiu o instante decisivo, mágico, na composição do enquadramento. A
fotografia do homem parado no ar, pulando a poça de água, revela a dilatação dos
quadros de Bresson.
Existe uma linha do documentário contemporâneo que busca a precisão nos enquadramentos,
que deixa de lado a fluidez e a improvisação inerentes à realidade. O cineasta monta,
assim, a encenação junto com os personagens, de modo bem próximo da linguagem
ficcional. No documentário Girimunho
(2011) de Helvécio Marins e Clarissa Campolina, os enquadramentos são milimetricamente
decupados. A câmera busca a pregnância da ação, entre a pintura e a narrativa.
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